Black Friday no Brasil deve movimentar R$ 2,2 bilhões neste ano

23 Novembro 2017, 1:19 pm

 

 

 

A adoção da tradição norte-americana não para de ganhar adeptos no país e pode ter crescimento de até 20% em relação ao ano passado

 

São Paulo – Movimento no comércio da rua Teodoro Sampaio, em Pinheiros, durante o Black Friday (Rovena Rosa/Agência Brasil)

Em 1621, peregrinos norte-americanos do estado de Massachusetts comemoraram uma grande colheita de milho, um ano após rigoroso inverno que ameaçou a sobrevivência da pequena vila que formavam. Era o primeiro jantar que celebrava o Dia de Ação de Graças. Pouco mais de 200 anos depois, em 1863, o presidente dos Estados Unidos na época, Abraham Lincoln, decretou que a última quinta-feira de novembro passaria a comemorar o feriado. Desde então, os moradores do país festejaram a data com uma grande ceia, recheada com muita fartura gastronômica. O dia seguinte é a vez das compras: a famosa Black Friday. Grandes varejistas norte-americanos, principalmente os que trabalham com artigos eletrônicos, criaram a tradição de abrir suas lojas muito cedo, durante a madrugada, para vender artigos com descontos a perder de vista. Por isso, não é incomum encontrar pessoas dormindo nas filas das lojas para aproveitar as pechinchas.

Em 2010, o Brasil passou a pegar carona na tradição “gringa” e cerca de 50 lojas do varejo nacional ofereceram seus descontos na última quinta-feira de novembro. De lá para cá, a adesão, tanto de lojistas quanto de clientes, não parou de crescer. Neste ano, a expectativa é de que a data, que cairá no dia 24 de novembro, movimente R$ 2,2 bilhões em vendas pela internet, segundo levantamento divulgado pelo Google no fim de agosto, um crescimento que pode chegar a 20% em relação a 2016, que teve faturamento de R$ 1,9 bilhão.

Entrando no seu sétimo ano, a Black Friday brasileira tem espaço para varejistas off-line, mas boa parte da procura dos clientes ainda está no universo on-line. Lideram o ranking de intenção de compra em 2017 celulares/smartphones e roupas femininas (ambos com 39%), seguidos de passagens aéreas/hotéis (36%). Dos que pretendem comprar celulares/smartphones nos próximos seis meses, 66% devem esperar a Black Friday.

Para aproveitar a alta intenção de compra, é preciso estar atento às necessidades de um consumidor que busca a comodidade da compra sem sair de casa. “Ao alinhar o formato da comunicação corporativa com boas ações de marketing, é possível propor soluções que agrupem todos os canais, permitindo o tráfego livre do cliente entre as opções, como loja física, virtual, SAC, redes sociais, chats etc.”, aconselha Francisco Cantão, fundador do site Black Friday de Verdade e sócio diretor da Proxy Media Marketing Digital.

Dados da FBITS, empresa especializada no segmento de plataformas de e-commerce, mostram que, de 2015 para 2016, as lojas credenciadas por ela registraram um aumento de 82% de receita, além de acréscimo de 80% de pageviews durante o período da Black Friday. Para aproveitar essa janela e impulsionar sua participação nas redes sociais e internet como um todo, é preciso lembrar que o ambiente virtual tem regras importantes e que nada passa desapercebido pelo consumidor atento e atuante. Uma prova disso é que outras Black Fridays no Brasil ficaram marcadas por varejistas que maquiaram preços.

Para não cair nessas armadilhas, a FBITS aconselha: “Na página do site, é importante mostrar quais itens farão parte da Black Friday. O ideal é criar um hotsiteapenas com os produtos para a data, evitando sanções por propaganda enganosa e facilitando a busca pelos produtos com desconto”.

Mesmo sem a tradição do Dia de Ação de Graças, o Brasil surfa cada vez mais alto na onda da Black Friday. Com uma boa preparação, é possível aproveitar essa maré, que parece desviar da crise e impulsionar as vendas de fim de ano.

 

Black Friday também incentiva a doação

Opostamente ao lado consumista da Black Friday, surgiu nos Estados Unidos o Giving Day, que aqui no Brasil se tornou o #diadedoar, principal campanha no mundo para promover doação para as organizações não governamentais. Resultados do World Giving Index 2016 mostram que mais de 65% dos brasileiros gostariam de se engajar mais em causas sociais e ser mais participativos no cotidiano da transformação positiva. O conselho do #diadedoar teve a iniciativa de unir essas vontades e, desde 2013, incentiva cada vez mais pessoas a promover a cultura da doação no Brasil. A ação acontece uma vez por ano e é realizada na primeira terça-feira depois do Dia de Ação de Graças. Para saber mais, acesse: www.diadedoar.org.br.

 

 

 

 

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